
A questão é incontroversa e está universalmente sacramentada: o Lions é um “CLUBE DE SERVIÇO” e não um “Clube Beneficente”.
O conceito de “Clube de Serviço” refere-se a organizações de voluntários dedicados a melhorar suas comunidades por meio e projetos humanitários e sociais, enquanto um “Clube Beneficente” (ou entidade beneficente) foca na prestação direta de auxílio e assistência social a grupos vulneráveis.
Portanto, as principais diferenças entre Clubes de Serviço (como o Lions) e Clubes Beneficentes residem no foco da atuação, no envolvimento dos seus membros e no reconhecimento legal.
Seus foco e abrangência são distintos: Os Clubes de Serviço possuem um foco amplo em serviço comunitário e liderança. O objetivo não é apenas dar assistência, mas identificar carências nas comunidades e mobilizar recursos para resolvê-las. São, geralmente, ramificações de organizações globais com causas estruturadas. Já os Clubes Beneficentes tem como foco primário a caridade e assistência direta. Suas ações costumam ser voltadas para a arrecadação de fundos ou doação de bens para indivíduos ou instituições (como orfanatos e asilos), muitas vezes em nível local ou regional.
O envolvimento dos seus membros (associados) também é diferenciado. Os Clubes de Serviço enfatizam o voluntariado ativo e o desenvolvimento de habilidades de liderança. O lema do Lions, por exemplo, é “Nós Servimos”, indicando que seus membros devem colocar a “mão na massa” na execução dos seus projetos globais. Já os Clubes Beneficentes podem funcionar de forma mais passiva, onde o papel principal dos seus membros é o apoio financeiro ou a organização de eventos para arrecadar fundos, sem necessariamente exigir o desenvolvimento de liderança ou uma estrutura hierárquica internacional.
Com relação à estrutura e governança, a distinção também é significativa. Os Clubes de Serviço possuem estrutura altamente padronizadas e internacionais. Existem regras rígidas de governança, reuniões periódicas obrigatórias e uma hierarquia que vai do clube local ao nível internacional. Os Clubes Beneficentes frequentemente são autônomos ou ligados a entidades religiosas ou de classe. Eles têm maior flexibilidade em suas regras de funcionamento e não costumam prestar contas a uma federação global.
No que tange ao reconhecimento legal e objetivos também existe acentuada diferenciação. Os Clubes de Serviço são organizações sem fins lucrativos focadas no bem-estar público geral, muitas vezes atuando em órgãos internacionais como a ONU-Organização das Nações Unidas. Já os Clubes Beneficentes, como aqui no Brasil, muitas vezes são registrados como associações ou fundações com o fim específico de filantropia, visando suprir necessidades imediatas de populações vulneráveis.
Existe, ainda, um outro aspecto que precisa ser considerado: ainda existem muitos Lions Clubes que estão descaracterizando sua atuação e se transformaram em verdadeiros clubes beneficentes.
O Lions é, por definição, uma organização de serviço comunitário. Isso significa que o foco principal é o trabalho voluntário direto. Seus associados identificam uma necessidade local e dedicam seu tempo e esforço pessoal para resolvê-la (por exemplo: realizar exames de acuidade visual nas escolas). Um Lions Clube serve como uma incubadora de líderes comunitários que se envolvem na governança e execução de projetos. O objetivo é o empoderamento da comunidade por meio da participação ativa.
Quando um Lions Clube se descaracteriza ele passa atuar prioritariamente como uma entidade arrecadadora de fundos ou doadora. O foco muda da ação direta para a doação financeira ou de bens (por exemplo: apenas entregar cestas básicas ou assinar cheques para outras entidades. Seus associados tornam-se “mantenedores” ao invés de voluntários ativos. O clube passa a atuar como uma entidade filantrópica privada. A perda da identidade do Leão ocorre porque o convívio e o serviço – pilares do nosso movimento -, são substituídos por uma relação puramente monetária com a causa. E por que ocorre a descaracterização?: 1) Clubes com associados em idade avançada podem ter dificuldades físicas para ações de campo, optando por doações financeiras; 2) É mais fácil arrecadar dinheiro do que organizar e executar um projeto de serviço complexo; 3) O clube passa a priorizar jantares e festas de confraternização, esquecendo que o evento é o meio, e não a finalidade do Lions.
Para manter a essência, Lions Internacional incentiva que os Lions Clubes atentem para suas Causas Globais (Visão, Fome, Meio Ambiente, Câncer Infantil, Diabetes e as demais), priorizando projetos que exijam a presença e o suor dos associados na linha de frente.
Cabe a cada um de nós fazer com que nossos clubes deixem de ser “Clubes Beneficentes” e se transformem em VERDADEIROS CLUBES DE SERVIÇO.
Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.
(*) Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista (LC-6)
Ex-Governador 1997-1998 do Distrito L-17 (atual LC-6)
Membro da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil
Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions
E-mail: andriani.ada@gmail.com