O Leão precisa ter um “QI” diferenciado?

O Leão precisa ter um “QI” diferenciado?

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI  (*)

            O Quociente de Inteligência, popularmente conhecido como “QI”, é uma estatística de medida que avalia certas capacidades cognitivas de uma pessoa em comparação com a média da população.

            Como definição, QI é um número resultante de testes padronizados que medem habilidades de raciocínio.  A pontuação média global é definida como 100.  Ele avalia o raciocínio logico, a capacidade analítica, a resolução de problemas, a memória de trabalho e o procedimento visual-espacial.  O que ele não avalia é a criatividade,  a inteligência emocional (QE), a sabedoria prática e as habilidades artísticas.

            O QI serve para:  a) Identificar extremos: Localizar indivíduos com altas habilidades ou com deficiência intelectual;  b) Prever desempenhos: Servir como um preditor estatístico de sucesso acadêmico e facilidade de aprendizado de tarefas complexas;  c) Medir grupos: Ajudar cientistas a entender o impacto da nutrição, educação e genética no desenvolvimento cerebral ao longo das gerações.

            A real finalidade e aplicabilidade do QI são representadas por quatro etapas:

1) Diagnóstico clínico: Psicólogos e neurologistas usam para identificar transtornos de aprendizagem ou declínio cognitivo após lesões; 

2) Orientação pedagógica: Adaptar o currículo escolar para crianças que precisam de suporte extra ou de enriquecimento curricular; 

3) Processos seletivos: Algumas instituições militares ou corporações utilizam testes de lógica baseados em QI para filtrar candidatos em funções de alta complexidade técnica; 

4) Pesquisa científica: Funciona como ferramenta padronizada para estudar a mente humana e o comportamento cognitivo.

            Depois dessas considerações gerais a respeito do Quociente de Inteligência, vou entrar direto no assunto que me intuiu a elaborar esta mensagem: O ASSOCIADO DE UM LIONS CLUBE PRECIDA SER POSSUIDOR DE UM QI DIFERENCIADO?  A resposta seca é NÃO!  O principal requisito para ingressar e fazer a diferença em nossa organização não é a capacidade intelectual medida por testes acadêmicos, mas sim pelo Quociente Emocional (QE) e pelo compromisso com o serviço comunitário.

            Lions Internacional é a maior organização de clubes de serviço do mundo, e foi fundada com o propósito de promover o entendimento global e atender as necessidades humanitárias locais.  Historicamente, paira no imaginário popular a ideia de que clubes de serviço exigem perfis intelectuais ou socioeconômicos altamente elevados.  No entanto, a premissa de que um Leão necessita  de um QI diferenciado afasta-se da verdadeira filosofia da Associação, cujo alicerce reside na disposição para o trabalho voluntário e na empatia, e não em métricas de inteligência lógica.

            O verdadeiro perfil de um associado do Lions estabelece a incidência do Quociente Emocional sobre o Quociente de Inteligência.  Enquanto o QI mede habilidades lógico-matemáticas e linguísticas, o sucesso de um Leão depende fundamentalmente do QE.  As principais frentes de trabalho de Lions Internacional (como o combate à fome, o apoio às causas da visão, do diabetes ou do câncer infantil) demandam sensibilidade para identificar a dor do outro e capacidade de mobilização social, o que representa:

  • Solidariedade prática:  A execução de campanhas humanitárias exige mais atitude e   compaixão do que teorias complexas.
  • Trabalho em equipe:  A convivência harmônica dentro de um Lions Clube depende de inteligência social, respeito às diferenças e liderança colaborativa.

            A força de um Lions está na pluralidade dos seus associados.  Uma comunidade forte não se constrói apenas com acadêmicos ou cientistas, mas com a união de diferentes profissões, origens e habilidades.  Isso nos leva a dois segmentos:

  • Habilidades práticas:  Profissionais técnicos, comerciantes e operários trazem soluções executivas rápidas para a logística de doações.
  • Visão humanitária:  A diversidade de saberes garante que o clube entenda as reais necessidades da comunidade sob múltiplos pontos de vista.

            Portanto, a exigência de um QI diferenciado para os associados elitizaria a Associação e esvaziaria o seu propósito de representatividade social.

            Nosso lema oficial (“Nós Servimos”) sinteriza o critério definitivo de pertencimento.  Para servir o próximo com excelência, o Leão precisa de disponibilidade de tempo, integridade moral e um coração voluntário.  O intelectualismo sem ação é estéril.  O impacto social real nasce da disposição de “calçar as botas” e ir para as ruas ajudar quem precisa, uma qualidade associada ao caráter e ao altruísmo, e não à genialidade de um indivíduo.

            Em suma, um Lions Clube não busca mentes brilhantes isoladas, mas corações dispostos a trabalhar em conjunto.  Um QI diferenciado não é um pré-requisito e tampouco garante que alguém será um bom Leão.  A verdadeira métrica de valor dentro do leonismo é o impacto positivo causado na vida das pessoas vulneráveis.  O voluntariado eficaz é medido pela capacidade de estender a mão, acolher e transformar a realidade local, provando que o desejo de servir supera qualquer indicador de capacidade intelectual.

            Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

(*)           Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista

                Ex-Governador 1997-1988 do Distrito L-17 (atual LC-6)

                Membro do Conselho de Ex-Governadores do Distrito LC-6

                Associado da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com

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