CONVENÇÕES E REUNIÕES DISTRITAIS
PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI
Tenho ouvido, com certa frequência, comentários desestimulantes sobre um possível arrefecimento do movimento leonístico. Uns dizem que, hoje, já não existe o mesmo interesse que havia em épocas passadas. Outros atribuem essa causa desanimadora à situação vivida pelo país, gerada pela falta de confiança e incerteza que abalam qualquer estrutura. Há, porém, aqueles que, aprofundando-se na análise, e com os quais pactuo, asseguram estar essa queda de entusiasmo relacionada com a falta de atenção e comprometimento que nós mesmos dispensamos a essa causa maravilhosa alicerçada e sedimentada por Melvin Jones.
Existem inúmeros fatores que contribuem para motivar esses comentários tão negativos e tremendamente prejudiciais. Vou, aqui, me ater a um deles: a realização e desenvolvimento das nossas Convenções e Reuniões Distritais.
Nota-se, a cada ano que passa, principalmente em algumas regiões, que esses conclaves tão significativos, fonte salutar do mais amplo sentimento leonístico, da reafirmação da amizade e do companheirismo, estão perdendo a motivação devido a graves falhas registradas em suas estruturas, tanto organizacionais como de comando. Tal fato está contribuindo para que esses eventos tenham um alheamento cada vez maior e já não despertem, como outrora, o mesmo interesse por parte da família leonística.
Acredito que tenha chegado a hora, se é que já não passou do tempo, de todos nós, unidos, contribuirmos com alguma coisa, de fazermos uma reflexão séria e responsável, de repensarmos o porquê desse desinteresse pelas nossas Convenções e Reuniões Distritais. O problema não é somente financeiro!
Existem culpados? Existem! Quem são? Todos! Nós, individualmente; os Clubes, em particular; a Governadoria do Distrito, no geral e em especial.
Se as Convenções (principalmente) e Reuniões Distritais são uma das coisas mais bonitas do leonismo; se nelas se presencia o verdadeiro espetáculo da amizade e do companheirismo, onde todos fazem novas amizades, trocam-se opiniões e aprende-se muito, então porque a degringolada que já se começa observar?
Por uma questão de ordem, ou mesmo de carapuça, pois cada um deve assumir o ônus maior a respeito das possíveis e eventuais falhas, vou tentar analisas as responsabilidades de cima para baixo.
PARTICIPAÇÃO DA GOVERNADORIA DO DISTRITO
A Governadoria do Distrito é a grande responsável pelo planejamento, organização e desenvolvimento de uma Convenção ou Reunião Distrital, apesar de sempre existir uma executiva a cargo do Clube anfitrião. Mas compete a ela adotar e fazer cumprir os procedimentos. Alguns deles, atualmente, precisam ser urgentemente reformulados, partindo-se de um agendamento eficiente e extremamente racional.
Uma plenária não pode e não deve ultrapassar o limite de duas horas ou, no máximo, duas horas e meia. Mais do que isso torna-se improdutiva, perde o interesse e há a dispersão natural dos participantes. Os responsáveis devem atentar para o fato, já que há condições para tal. A plenária de uma Convenção Distrital, na ótica do meu entendimento, deve se atrelar exclusivamente a três segmentos: um para mensagens e prestação de contas do Governador e sua equipe (máximo de quarenta e cinco minutos a uma hora); outro para a palestra do Orador Oficial (máximo de trinta a quarenta e cinco minutos), inclusive com entendimento prévio junto ao palestrante); e um terceiro para votações e providências finais (máximo de uma hora).
Governadoria e Clube promotores do evento devem exigir o cumprimento do horário. Se a plenária estiver marcada para às 09:30 horas, o Assessor de Protocolo deve iniciar a formação da mesa dirigente exatamente às 09:30 horas, esteja quem estiver no local. Fazendo isso, numa primeira vez, poderá até ferir suscetibilidades, mas, por outro lado, vai conscientizar a família leonística que, a partir daquela data, horário foi feito para ser cumprido. Além do mais, Leões verdadeiros jamais se atrasam.
A prestação de contas da Governadoria pode e deve ser agilizada. Atas e demonstrativos financeiros devem ter cópias previamente encaminhadas para os Clubes. Estes analisarão os documentos em suas assembléias ordinárias e instruirão seus Delegados credenciados para a votação.
Votação de proposições também deve merecer atenção especial para não tumultuar as plenárias. As Comissões Técnicas competentes, nomeadas pela Governadoria, recebem as matérias com antecedência para análise e emissão de parecer. Ao fazer uso da palavra, cada relator do processo, ou Presidente da respectiva Comissão, dará conhecimento do título da matéria, Clube proponente, autor e anunciará o parecer final para manifestação dos Delegados credenciados, conforme regras definidas pelo Regimento de Convenção do Distrito. Presume-se, neste caso, que a Governadoria tenha dado conhecimento aos seus Clubes de todas as proposições submetidas à apreciação, conforme, aliás, dispõe as normas estatutárias. Portanto, os Delegados presentes já estarão cientes de como conduzirão seus votos, sejam favoráveis ou não.
A eleição para os cargos de Governador, 1.º Vice-Governador e 2.º Vice-Governador numa Convenção Distrital, em alguns casos, igualmente tem ocasionado tumultos generalizados, com dispersão dos convencionais e até mesmo suspensão dos trabalhos. É uma falha que precisa ser sanada e existem meios para isso. Dou um exemplo de uma medida adotada, e da qual participei, que felizmente parece estar sendo seguida a partir de então: numa Convenção Distrital realizada aqui em Ribeirão Preto, no ano leonístico 2008/2009, iniciou-se a adoção do seguinte procedimento, previamente informado aos Clubes do Distrito: 1) os Delegados foram informados que, a partir de um determinado momento, em local estrategicamente reservado ao lado da mesa dirigente, seria erguida uma placa com o nome do Clube (por ordem alfabética). Hoje, com os avanços da tecnologia, esse painel de chamamento dos Delegados dos Clubes pode e deve ser feito eletronicamente; 2) imediatamente após o chamamento, os Delegados daquele Clube, de forma ordenada e em silêncio, deixariam a plenária e se dirigiriam para o local de votação; 3) cumprida a formalidade, eles voltariam para seus lugares; 4) na sequência, um novo chamamento seria exibido e o processo repetido até o final; 5) em menos de uma hora todos tinham votado e não houve tumulto na plenária; 6) o resultado da aprovação foi encaminhado à mesa dirigente bem antes do encerramento dos trabalhos, para as providências de praxe. Não há segredo! Basta querer, comunicar, organizar e agir!
Um detalhe: quando o futuro Governador for convidar algum Companheiro ou Companheira-Leão para participar do seu Gabinete deve, no ato, informar ao convidado que, em sua posse, a reunião do Gabinete vai ser realizada em sua cidade, no sábado, em tal horário, e para a qual ele fica oficialmente convidado. O futuro Governador sentirá, assim, de pronto, se vai realmente contar com a efetiva colaboração daquele Companheiro ou Companheira durante sua gestão.
Outra coisa: entrega de troféus e premiações poderá perfeitamente ser feita durante o almoço de confraternização que geralmente acontece, onde há tempo mais do que suficiente para essa finalidade, e num ambiente festivo, apropriado. Com isso, não haverá a natural dispersão da plateia leonistica sempre que chega esse momento, fazendo com que a plenária se transforme em verdadeiro pic-nic e palco de bate-papos informais.
Plenária é coisa séria e de cultura leonistica. Se bem organizada poderá perfeitamente ser realizada, por exemplo, no máximo das 09:30 às 11:30 ou 12:00 horas. E, com certeza, agradará e passará a despertar maior interesse de todos.
PARTICIPAÇÃO DOS CLUBES
A Diretoria de um Clube, desde que devidamente ciente que a Convenção ou Reunião Distrital terá, dali por diante, uma organização racional, deverá, através de contatos prévios, incentivar a participação do seu corpo associativo. Todos devem ser conscientizados a respeito da importância da participação e da presença física no evento, tanto para o Clube como para o fortalecimento do Distrito e do nosso movimento.
Deve o Clube, igualmente, contribuir objetivamente para que o horário estabelecido seja cumprido. Sei, por experiência própria, que existem cidades que se situam bem distantes daquela que sedia a Convenção ou Reunião Distrital. Mesmo esse fato não deve ser aventado como desculpa. Uma caravana que sai às seis horas pode sair às cinco. Uma hora antes,pelo realce do evento, não fará diferença para aqueles que têm dentro de si a chama ardente do leonismo. Nada mais desagradável e deselegante uma delegação chegar ao local do evento às 10:00 horas… e para o café da manhã (e, muitas vezes, seus componentes ainda tem a cara-de-pau de reclamar que não foram bem atendidos).
Outro fator de responsabilidade leonística, para os dirigentes de Clubes, é a conveniente e devida orientação que devem dar aos Delegados que vão representá-los na Convenção Distrital. É comum, e lamentável, quando se observa determinados Delegados designados que nem sabem o que estão fazendo na plenária. A Diretoria de um Clube, antes da Convenção, deve contatar com a Governadoria (caso esta não se antecipar na divulgação, conforme regras estatutárias) e procurar saber quais as proposições que foram apresentadas e quais as resoluções que serão colocadas em votação. De posse da informação, deverá reunir-se previamente para analisar as propostas e, aí sim, orientar seus Delegados para que compareçam e votem com plena consciência daquilo que estão fazendo.
PARTICIPAÇÃO INDIVIDUAL
Desde que a Governadoria e os Clubes cumpram seus importantes papéis, cabe a cada um de nós dar o exemplo de sentimento leonístico: estar nos locais designados nos horários previamente estabelecidos (e mesmo exigir que eles sejam cumpridos) e manter uma postura respeitosa durante a realização das plenárias, atentos a tudo o que estiver ocorrendo.
ENFIM…
Isto era o que eu desejava expor sobre o assunto, embasado em experiências vividas em muitos anos de vida leonística.
Nosso movimento continua forte e pujante. Ele segue seu caminho rumo ao futuro. Somos nós que, às vezes, paramos na estrada e interrompemos a caminhada. Se continuarmos andando, juntos e coesos, chegaremos aos objetivos que nos foram traçados para a cruzada do serviço desinteressado.
É o meu ponto de vista.